
Notícias da Guerra, 1848, Richard Caton Woodville
Que a informação é poder já sabemos. Mas, tendo-se tornado um dos fatores de sucesso críticos para a sobrevivência das organizações, a informação passou a ser um alvo primordial para os combatentes em qualquer situação competitiva ou antagônica.
A informação, portanto, precisa ser defendida tanto quanto os ativos físicos.
Por outro lado, a Guerra da Informação não assola somente os sistemas de computadores. É a informação — e o uso a que é posta — que é importante. A tecnologia da informação é apenas o novo repositório para coleta, transmissão, processamento e exibição dos dados. Os princípios que regem o levantamento, a armazenagem e o uso da informação são muito antigos.
Essa guerra cobre ampla gama de atividades de informação, desde a destruição de equipamentos de TI até a sutil gestão da percepção, desde a espionagem industrial até o marketing. O uso agressivo da informação não deve ser desconsiderado por gestores sobrevivendo num mundo de negócios hostil.
Mas as organizações não são só ameaçadas por seus competidores. Empregados contrariados e grupos de pressão, como o Greenpeace ou a Associação das Donas de Casa, podem se tornar inimigos. O crime organizado e os terroristas são outra fonte de ameaças, assim como nações que usam suas agências de inteligência para obter informações empresariais confidenciais.
Bill Hutchinson e Matt Warren, em seu livro “Information Warfare“, enumeram três objetivos da Guerra da Informação (que eles chamam de I-War):
- usar sua própria informação e sistemas associados para ganhar vantagem sobre competidores e/ou protagonistas;
- proteger sua informação e sistemas associados dos que lhe queiram prejudicar;
- formular estratégias e ações que produzam efeitos prejudiciais a competidores e/ou protagonistas.
Enumeram também quatro estratégias a serem aplicadas:
- Negar acesso aos dados — Isso pode ser alcançado através de ataques ao hardware ou ao sistema contendo os dados, ou da deleção dos dados. Como muitos dados têm uma dimensão temporal, pode-se também atrasar tanto o acesso aos dados a ponto de torná-los inúteis.
- Disrupção ou destruição de dados — A disrupção pode ser causada ao sistema que coleta e armazena a informação, ou à parte do sistema que a dissemina. A destruição dos dados pode ser física (da mídia de armazenamento) ou dos dados em si, de modo que se tornem irrecuperáveis a tempo de serem úteis.
- Roubo de dados — O roubo de dados sigilosos, que pode permanecer ignorado pela vítima, dá vantagens competitivas empresariais, de negociação ou até mesmo criminosas ao ladrão, provendo insights sobre as operações da vítima.
- Manipulação de dados — Dados podem ser adicionados, deletados ou alterados para dar vantagem ao atacante.
